terça-feira, 25 de março de 2008

EDUCAÇÃO

Pesquisa elenca os dez mandamentos do ensinoPublicado em 25.03.2008, às 15h22
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Do JC Apesar de não haver uma receita única, pesquisa fechada no final do ano passado e divulgada agora mostra que há dez metas indispensáveis para oferecer educação básica com qualidade e fazer da aprendizagem ferramenta de progressão social. A aplicação sistemática dessas metas transformou 37 municípios brasileiros – 0,66% das 5.564 cidades do País – em campeões de aprendizagem escolar. Nenhuma cidade pernambucana está na relação. Em todos os municípios vigora uma regra de ouro: "Um a um, nenhum a menos". Ou, como dizem os professores de Marilena (PR), "a gente não deixa nenhum aluno para trás". O que, na prática, foi sentido por um estudante da escola municipal de Guaramirim (SC) desta maneira: "Os professores insistem, insistem, até a gente aprender". A pesquisa Redes de aprendizagem – boas práticas de municípios que garantem o direito de aprender foi feita pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Ministério da Educação/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Os dados serão apresentados e debatidos hoje, em Brasília, no Fórum da Undime.
Nas 37 cidades em que governo, professores e pais sustentam um pacto pelo "direito de aprender", as dez práticas sistemáticas são: 1) gestão para a aprendizagem, isto é, organizar a escola com o objetivo de chegar a um “ensino de resultados”, que é fazer com que o aluno aprenda, 2) prática de rede, que vem a ser a integração de todas as escolas do município a um mesmo método de trabalho, 3) planejamento, que envolve, obrigatoriamente, os pais dos alunos, 4) avaliações, 5) valorização dos professores, 6) investir na formação contínua dos docentes, 7) valorização da leitura, 8) atenção individual aos alunos, 9) agenda de atividades complementares e 10) parcerias envolvendo áreas da saúde, esporte, cultura e assistência social. Como destaca o relatório, "o bom desempenho não (pode) ser creditado a fórmulas ou atividades complexas".
A única complexidade está na fórmula criada para definir os 37 municípios alçados à condição de campeões de aprendizagem: uma parte do Indicador de Efeito Redes Municipais (IERM) foi tirada do resultados dos alunos ao fazer as provas que compõem o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A outra parte da pesquisa e do indicador final levou em conta a condição socioeconômica dos alunos e dos municípios e como, mesmo em situações adversas, as redes de ensino obtêm resultados acima do padrões médios.
Foram selecionadas as redes de ensino municipal que tiveram nota igual ou maior que 4. Ao todo, das 2.346 redes de ensino, foram selecionados 103 municípios. Desses, sobraram 40 que foram considerados os que reuniam as melhores práticas. Sobraram os 37 municípios campeões em aprendizagem escolar.
"Capricho" foi uma das palavras-chave que resumiram as principais atitudes das redes de excelência, que para os professores e os pais dos alunos significa o seguinte: "Ninguém se deixa imobilizar pelas dificuldades". Em 29 dos 37 municípios há uma prática generalizada de incentivo à leitura. E em vez de estantes com livros arrumadinhos, as escolas criam ambientes de bibliotecas ambulantes que usam ônibus, baús, carrinhos de mão e até jegues.
As redes escolares trabalham um fluxo de informações sobre práticas bem sucedidas, o que gera um compromisso de toda a comunidade com as questões locais e com a qualidade da educação. Isso quer dizer que o aluno não é só de uma professora, mas de toda a rede. O professor não está sozinho, é parte da equipe da escola e da rede.
A simplicidade na resposta de dois profissionais de educação – um de João Monlevade (MG) e outro de Carmo do Rio Verde (GO) – despertou a atenção das 18 pesquisadoras que fizeram o trabalho de campo. Ao exemplificar como via o real compromisso com o aprendizado dos alunos, um dirigente da cidade mineira disse: "Aqui é tudo pedagógico". E, à mesma pergunta, uma professora da cidade goiana assegurou: "A aula é gostosa, prazerosa. Educação é movimento".

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