quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pernambuco obtém resultados inovadores no tratamento da raiva


A saúde pública em Pernambuco está prestes a obter uma vitória inédita no Brasil e a segunda no mundo, com a cura e sobrevivência de um garoto de 15 anos infectado pela raiva, doença até então considerada pela literatura médica 100% letal. Na tarde dessa segunda-feira (11), em entrevista coletiva, a equipe médica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) informou que M.M.S., internado na UTI da unidade há 30 dias, está curado da infecção aguda da raiva e o exame para detecção do vírus no sangue do paciente deu negativo para duas amostras (faltando uma terceira para confirmação). Os médicos, porém, ainda não sabem como será a recuperação do paciente e quais seqüelas poderá desenvolver.

No tratamento, a equipe médica seguiu o protocolo Milwaukee, como ficou conhecida uma série de procedimentos clínicos adotados em uma paciente residente na cidade americana de Milwaukee. Ela foi a única a ficar curada e a sobreviver. Nos outros 15 casos (incluindo o brasileiro) em que o protocolo foi adotado em todo o mundo, os pacientes tiveram uma sobrevida bem maior – historicamente, a expectativa é de apenas nove dias de vida após o aparecimento dos sintomas – e faleceram por outras complicações que não propriamente a infecção pela doença. Em alguns deles, os doentes resistiram por mais de 70 dias. Na UTI do Oswaldo Cruz, os médicos seguiram um tratamento que alternou uso de fortes sedativos e antivirais.

O sucesso do tratamento deve-se a uma ação integrada do Estado, através do Huoc, da Secretaria Estadual de Saúde e do Laboratório Central de Pernambuco (Lacen). Na SES, os médicos e técnicos de Vigilância Ambiental conversaram, por meio de áudioconferência, com o Centro de Controle de Doenças (Center Disease Control - CDC) de Atlanta (EUA), que auxiliou a equipe brasileira. Os medicamentos necessários foram buscados nas diversas unidades da rede estadual, como o Otávio de Freitas, e o Lacen coordenou a análise dos exames, em parceria com o instituto Pasteur, de São Paulo.

"Temos a certeza de que mudamos o tratamento da raiva no Brasil. Antes, ele visava apenas garantir uma morte menos dolorosa", explicou o chefe da UTI do Huoc, Gustavo Trindade. De acordo com o médico, o garoto, residente do município de Floresta, ainda inspira cuidados, assim como todo paciente que está em uma UTI. Porém, com maior estabilidade e até já abriu os olhos. Em no máximo 48 horas, estará pronto o terceiro exame que provavelmente apontará a ausência do vírus da raiva no sangue do garoto.

Campanha - Até o dia 08 de dezembro, todo o Estado está mobilizado em uma campanha de vacinação de cães e gatos contra a raiva. São 6,6 mil postos de vacinação, com a expectativa de imunizar 1,3 milhão de animais em 184 municípios. Ao ser agredida por um animal, a pessoa deve lavar imediatamente o ferimento com água e sabão, e procurar com urgência o Posto de Saúde mais próximo. Vale lembrar que o tratamento profilático anti-rábico também é recomendado para toda agressão por espécie silvestre (morcegos, raposa/cachorro do mato e sagüis).

Dados – Antes deste, o último caso de raiva humana em Pernambuco foi notificado em 2006, em Belém de Maria – município da Zona da Mata do Estado. Anteriormente, em 2003, um homem de Santa Maria da Boa Vista foi agredido por um cão e faleceu. Em animais, este ano, foi constatada a doença em 7 cães e 2 gatos. No ano passado, foram 16 cães e em 2 gatos infectados. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), só a raiva canina provoca, anualmente, cerca de 55 mil casos de raiva humana no mundo.

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